24 Julho 2009

TWITTER

140 letras para digitarmos abóboras, jornalismo, toques de sabedoria ou notícias que ninguém quer ouvir: mamãe morreu, velório começa às 7h.

http://twitter.com/cacobelmonte

15 Julho 2009

REPÓRTER MEMÓRIA

Na próxima terça-feira, 21, completo 13,5 mil dias de vida. Nasci no Hospital Moinhos de Vento. Residi nos bairros Menino Deus, Cidade Baixa, Ipanema, Cristal, Centro e hoje estou de volta à Zona Sul. Em Ipanema, morei de 1977 a 1997, e agora de novo faz dois anos.

É um lugar que difere muito do resto da cidade, não apenas pela geografia privilegiada à beira do Guaíba, mas também pelo modo de vida dos moradores. Aqui é um dos portais que dão acesso à Porto Alegre rural, em direção ao extremo sul, até os limites com o município de Viamão.

Já não temos aquele ar de cidade do interior, predominante até meados dos anos 80, embora o bairro ainda preserve resquícios e relíquias, até mesmo de décadas anteriores à referida. Algumas casas de madeira, erguidas na década de 40 para veraneio, sobreviveram ao tempo. Nem todas estão conservadas, mas muitas ainda resistem.

Ser de algum lugar, para mim, não é apenas viver o dia-a-dia. É preciso sentir o clima, conhecer as histórias e tomar conhecimento dos patrimônios material e imaterial da região. Já sei que Porto Alegre passou a existir oficialmente em 26 de março de 1772. Nossa localização é 30º de latitude e 51º de longitude. O território tem 476,3 quilômetros quadrados, a uma altitude de 10 metros acima do nível do mar, com espaços de planície cercados por 40 morros que abrangem 65% de nossa área total. São 72 quilômetros de orla fluvial. Temos mais de 1,4 milhão de habitantes. Somos uma das cidades mais arborizadas do mundo, com mais de um milhão de árvores, 409 praças, reserva biológica, nove parques urbanos e a maior concentração de pássaros do país.

Nesse contexto está inserido Ipanema. Para ajudar a preservar as histórias do bairro, estou empenhado na assessoria de imprensa ao projeto Memorial de Ipanema. É o primeiro memorial de bairro do Rio Grande do Sul, totalmente financiado com recursos privados e apoio institucional da Prefeitura Municipal de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal da Cultura.

No post abaixo, reproduzo o release enviado à imprensa.

MEMORIAL RESGATA HISTÓRIA
DO BAIRRO IPANEMA

Exposição permanente. Mostra itinerante. Projeto educacional e, no futuro, a construção de uma sede própria. Estes são alguns dos objetivos do Memorial de Ipanema, que tem curadoria e pesquisa da gestora cultural Michele Kara.

Segundo Michele, que há dois anos dedica-se à pesquisa e formatação do projeto, trata-se do primeiro memorial de bairro da Capital. A iniciativa é sustentável, totalmente bancada pela comunidade, com a ajuda de empresários da Zona Sul. O projeto tem apoio da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (SMC).

Campanha – A primeira etapa do memorial foi o lançamento de um site (http://www.memoriasdeipanema.com.br/), no ar desde o início de junho. Além de explicar detalhes do projeto e adiantar algumas das atrações do novo espaço, o site também vai funcionar como instrumento para que os moradores da região participem com doações, e apoiadores tenham visibilidade de suas marcas. “Vamos fazer uma campanha para que as pessoas colaborem com fotos antigas, mapas, documentos, resgate da memória oral e objetos que ajudem a contar a história do bairro”, explica Michele.

Como funciona – A primeira mostra permanente, com data a definir, será montada em espaço localizado na Avenida Tramandaí, 339, bairro Ipanema (ao lado do posto de saúde). Além de fotos antigas, mapas, depoimentos e objetos, serão instalados recursos multimídia para interação dos visitantes com o que está sendo apresentado. Também haverá mostra itinerante e um projeto educacional junto às escolas da região. “Teremos projeções, reproduções em áudio resgatando antigas histórias do bairro”, afirmou a curadora.

O acervo do Memorial de Ipanema já conta com documentos, livros, mapas e fotografias pesquisadas em acervos públicos e pessoais. Os documentos comprovam e relatam detalhadamente o processo de formação do bairro e da região, desde 1832 até os dias de hoje.

14 Julho 2009

CEM ANOS DO CLÁSSICO GRENAL

No próximo dia 18 de julho o maior clássico do futebol gaúcho completa cem anos. No dia seguinte, domingo, Internacional e Grêmio se enfrentam pelo Campeonato Brasileiro 2009. A partida acontece na casa tricolor.

Para celebrar a data, publico foto histórica clicada no Estádio Olímpico, nas quadras que existiam onde hoje fica o gramado suplementar. Não é difícil imaginar que a convivência com esses jornalistas foi má influencia na escolha da profissão.

Na foto que ilusta o post, além do meu irmão e eu, estão alguns craques do time da Rádio Guaíba ... lá pelo meio da década de 70. Em pé: Roberto Villar Belmonte, João Carlos Belmonte, Lupi Martins (in memorian), Lasier Martins. Agachados: Caco Belmonte, Flávio Dutra, Clóvis Rezende e Edgar Schmidt.

12 Julho 2009

NO ORKUT DOS OUTROS AINDA DÓI

Em 28 de novembro de 2006, Rafael Rodrigues publicou no site Digestivo Cultural uma matéria sobre a editora Casa Verde, com destaque para o lançamento do livro “No Orkut dos outros é colírio”. O texto encerra com um questionamento feito a mim.

A resposta é simples. O novo livro está a caminho. É uma narrativa longa, do tipo que alguns costumavam rotular como novela. Ou seja, aquele gênero intermediário entre o conto e o romance. No meu caso, “Segunda-feira” concentra e prolonga um conflito único, cuja intensidade vai aumentando até o final, sempre do ponto de vista da personagem protagonista.

Por que a demora? Não é tão fácil como parece. As cento e poucas páginas que serão lidas em algumas horas levam anos do planejamento à realização, considerando o tempo dedicado ao trabalho braçal, que toma a maior parte de produção da obra.

A editora Casa Verde
por Rafael Rodrigues
Um dos convidados da Bienal do Livro da Bahia, que aconteceu no fim de 2005 em Salvador, foi o escritor mineiro Luiz Vilela. Ele participou do Café Literário, aquela conversa informal entre o convidado e uma entrevistadora. Lembro bem de uma das histórias que ele contou. Seu primeiro livro foi enviado a diversas editoras, que recusaram a obra. Com recursos próprios, publicou o livro, aos 24 anos. Com ele, ganhou seu primeiro prêmio literário. Que quero dizer com isso? Até Luiz Vilela precisou investir, nele mesmo, no início da carreira. E olha só quem ele é hoje...
Atualmente isso é cada vez mais comum. Escritores bancando as edições dos próprios livros, organizando e publicando coletâneas, abrindo pequenas editoras. Uma dessas novas editoras é a Casa Verde. Idealizada em 2004 pela jornalista e escritora Laís Chaffe
....
Primeiro livro individual publicado pela Casa Verde, "No Orkut dos outros..." é também a estréia “pra valer” do jornalista e escritor gaúcho. Digo “pra valer” porque Caco, questão de alguns anos, publicou de maneira independente (quer dizer, mais independente ainda) o "Contos para ler cagando", sua “pré-estréia”, digamos assim.

“Joel” abre o livro, e mostra ao leitor que Caco não está para brincadeira. Joel sai de casa para buscar um remédio para a filha adoentada, que ficou em casa com a mãe. Apenas isso poderia resultar em um belo e trágico conto. Mas Caco deixa a tragédia óbvia de lado e vai além: mostra um homem pobre, alcoólatra e desconfiado da esposa (ele pensa que a filha não é sua, pois “Mariângela tinha nascido branca, de olhos claros”, bem diferente dele), que desvia o caminho do posto de saúde por conta da necessidade financeira e da necessidade física do álcool. Ao chegar em casa, mais tarde do que o previsto, com o remédio, Joel se depara com a verdade que sempre tentou afastar de si. Impotente, nada faz, a não ser entregar-se ao vício.

O conto que dá título ao livro aborda um tema que pouca gente tem noção da seriedade: os efeitos nada saudáveis que o Orkut pode causar em uma pessoa. O narrador descobre, através do perfil da ex-namorada, que ela sempre fora uma desconhecida para ele. Ele admite que monitorou o perfil da ex, diz que parou com isso depois de algum tempo, mas a coisa se torna viciante, e ele volta a procurar o Orkut da ex. Lembrei de "O mito de sísifo" (do conto, não do livro), de Camus.

“Tejada” é outro ponto alto do livro. Começa com a chegada de um homem à uma casa de praia. Ele e a ex-esposa costumavam passar as férias lá, com os amigos. Ele tinha esperança de encontrá-la naquela ocasião para tentar a reconciliação. Ao vê-la de longe, ele parte sem se despedir de ninguém, por um motivo que só lendo o conto para saber...

Disputando o posto de melhor conto do livro estão, além dos já citados, “Chico” (um “conto de formação”, por assim dizer), “Adalgisa” e “A casca do grão cozido”. Este chega a ser engraçado de tão escatológico.

Ao fim das pouco mais de 70 páginas – poucas, infelizmente – de "No Orkut dos outros é colírio", fica aquela sensação de “já acabou?”, e a torcida para que Caco Belmonte não demore a lançar outro livro.

Íntegra da crítica de Rafael Rodriges.