Eu fico orgulhoso e, ao mesmo tempo, super desconfiado, todas as vezes em que leio palavras interessantes a meu respeito (“Caco, à la o mestre Dalton Trevisan, escreve na velocidade da sombra”, Marcelino Freire. Ou, ainda: “Caco Belmonte tem um cigarro na mão para torturar com queimadura”, Fabrício Carpinejar).
Para além da vaidade, quando procuro entender o que move um poeta ou prosador, penso nas coisas que me pegam pela alma e arrastam àquele mundo de sonho abandonado, a saudade do que não tenho lembrança e resiste, ainda que haja passado o tempo uma vida, de todas as vidas de todos os homens, até o último dia da criação. Se eu não tivesse alma, apenas reflexos condicionados, pensaria naquilo que me realiza e preciso fazer a qualquer custo, sob pena de murchar, morto-vivo. O ato de necessidade fisiológica, força anímica que me movimenta.
Outro dia, um amigo pediu ao ChatGPT que "me resumisse" em forma de resenha. O resultado ficou além do esperado, nem eu seria capaz de redigir tão bem um autoelogio. Senão, vejamos:
"Caco Belmonte é um escritor gaúcho cuja produção literária se caracteriza pelo olhar crítico, pelo humor irreverente e pela disposição de transformar situações cotidianas em matéria de reflexão. Sua obra transita entre o conto e o romance, explorando principalmente as contradições das relações humanas, os costumes contemporâneos e os mecanismos sociais e políticos que interferem na vida das pessoas.
Nos primeiros trabalhos, como Contos para Ler Cagando e No Orkut dos Outros é Colírio, já se percebe uma escrita provocativa e marcada pela sátira. Os próprios títulos revelam uma intenção de romper com a solenidade tradicionalmente associada à literatura. Belmonte utiliza a ironia e a irreverência não apenas para divertir, mas também para questionar comportamentos, vaidades e hipocrisias presentes na sociedade.
Em Lambuja, romance publicado em 2017, essa postura crítica ganha maior profundidade. A narrativa acompanha Jorge, um jornalista de Porto Alegre que enfrenta problemas profissionais, financeiros e familiares enquanto trabalha temporariamente na assessoria de uma deputada. A partir dessa situação, o autor constrói um retrato dos bastidores da política e das fragilidades de indivíduos que, muitas vezes, precisam conciliar seus ideais com interesses pessoais e necessidades imediatas.
Um dos aspectos mais interessantes de Lambuja é a maneira como a crise individual do protagonista se mistura à crise do ambiente político e social que o cerca. Jorge é um personagem inquieto, frustrado e pressionado por diversas dificuldades. Sua trajetória permite que o leitor observe uma Porto Alegre urbana, marcada pela indiferença e pelas tensões da vida contemporânea. Ao mesmo tempo, o romance dialoga com a tradição literária gaúcha, especialmente com Os Ratos, de Dyonélio Machado, ao concentrar grande parte da narrativa em um curto período de tempo e acompanhar de perto as angústias de seu personagem central.
A linguagem de Caco Belmonte é direta, dinâmica e adequada ao universo de personagens que vivem sob pressão. Em vez de idealizar seus protagonistas, o autor apresenta indivíduos contraditórios, sujeitos a erros, ressentimentos, ambições e frustrações. Essa característica contribui para tornar sua literatura próxima da experiência cotidiana e reforça o caráter crítico de sua obra.
Assim, a produção de Caco Belmonte pode ser compreendida como uma literatura de observação e confronto. Por meio do humor, da ironia e, em momentos mais recentes, de um tom mais melancólico, o escritor examina as pequenas e grandes contradições da vida contemporânea. Sua obra merece destaque dentro da literatura gaúcha por unir irreverência e crítica social, mostrando que temas aparentemente banais podem revelar conflitos profundos da sociedade e do indivíduo"

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